ERA: teste de receptividade endometrial

Para que a interação entre o embrião e o útero (endométrio) resulte em gestação, isto é, para que o embrião consiga implantar no endométrio, dois fatores são importantes:

Existem dois fatores esenciais para a implantação do embrião no útero:

1) O embrião ter boa qualidade: atualmente este é considerado o fator mais importante. O embrião deve ter qualidade suficiente para conseguir implantar no útero e se desenvolver. Esta qualidade depende fundamentalmente da qualidade do óvulo e do espermatozoide que deram origem ao embrião;

2) Endométrio receptivo: o endométrio deve dar as condições adequadas para que o embrião de boa qualidade consiga implantar e se desenvolver.

Estas condições são chamadas de receptividade endometrial e dependem do adequado funcionamento do endométrio.

A avaliação rotineira da adequacidade do endométrio para a implantação, isto é, de sua receptividade, baseia-se no seu aspecto morfológico. Durante um ciclo de tratamento de reprodução assistida, observa-se a espessura e o aspecto do endométrio ao ultrassom transvaginal. Quando há suspeita de lesões como pólipos, miomas submucosos (que invadem a cavidade uterina) ou aderências dentro do útero (sinéquias) a avaliação pode ser complementada com a histeroscopia, um exame no qual introduz-se uma pequena câmera de vídeo dentro do útero.

Apesar deste tipo de avaliação não fornecer informações relacionadas ao funcionamento propriamente dito do endométrio, atualmente ainda é considerada suficiente para a maioria das mulheres, justamente porque acredita-se que o embrião é o principal agente no processo de implantação. Consequentemente, o objetivo principal dos tratamentos de reprodução assistida tem sido por muito tempo a obtenção de embriões de boa qualidade.

Como explicar então alguns casos em que embriões de aparente boa qualidade não conseguem implantar em endométrios que se desenvolvem adequadamente, de acordo com os critérios morfológicos? Sem dúvida, ao menos parte da explicação vem do fato de ainda não se dispor de tecnologia e conhecimento suficientes para saber ao certo quais são os embriões que conseguirão produzir gestações; portanto, a pesquisa acerca de melhores formas de avaliar e classificar os embriões continua. Por outro lado, nos últimos anos alguns pesquisadores também têm se interessado sobre o papel do útero/endométrio na implantação. Destas pesquisas foram propostos alguns testes para avaliar a receptividade do endométrio do ponto de vista funcional. Um destes testes é o ERA, explicado abaixo.

ERA (Endometrial Receptivity Array – Teste de receptividade endometrial)
Pesquisas apontam que o útero não está pronto para receber um embrião em qualquer momento do ciclo menstrual. Ao invés disto, há uma fase em que o endométrio se encontra apto a dar as condições necessárias para que o embrião consiga aderir, implantar e se desenvolver. Esta fase, que dura poucos dias, chama-se janela de implantação e depende da exposição do útero aos hormônios estradiol e progesterona. Por exemplo, numa mulher fértil com ciclos menstruais regulares de aproximadamente 28 dias de duração, estima-se que a janela de implantação, isto é, o momento em que um embrião conseguira implantar no útero, estenda-se do 19º ao 23º dia do ciclo. Este é o tempo necessário de exposição aos hormônios produzidos naturalmente pelos ovários para que o útero fique pronto para a implantação. Fora deste período, mesmo um embrião de boa qualidade não conseguiria implantar.

O ERA é um teste desenvolvido e patenteado por um instituto chamado Igenomix. Os pesquisadores conseguiram identificar alguns genes que são expressos pelo endométrio durante a janela de implantação e comparam a expressão destes genes nas mulheres que estão sendo avaliadas com a expressão encontrada em mulheres férteis. Como a janela de implantação depende fundamentalmente da exposição do endométrio a hormônios, principalmente ao tempo de exposição a progesterona, o objetivo do ERA é verificar se na mulher avaliada a janela de implantação está ocorrendo no momento esperado, de acordo com o tratamento hormonal. O teste serve então para orientar a maneira de preparar o endométrio com hormônios (basicamente o tempo de uso dos hormônios) para a transferência de embriões.

Para que a análise pelo ERA possa ser feita é necessário remover fragmentos de endométrio, isto é, fazer uma biópsia do endométrio. Este procedimento pode ser feito tanto em ciclos menstruais naturais quanto em ciclos controlados com hormônios. Estes últimos fornecem mais controle sobre o processo e por isto são usados mais frequentemente.

Atualmente oTeste de Receptividade Endometrial- ERA é recomendado na investigação de falha de implantação embrionária, isto é, na falha de pelo menos três transferências de embriões de aparente boa qualidade ao útero, com endométrio de espessura adequada. Especificamente nesta situação, as pesquisas com o ERA indicam que até 20% das pacientes podem ter a janela de implantação “deslocada”, isto é, precisam de mais ou de menos tempo de uso de progesterona do que em tratamentos convencionais.

É importante salientar que este teste ainda não é recomendando para a avaliação inicial de pessoas com dificuldade para engravidar, isto é, não faz parte da avaliação básica da infertilidade. Outra informação importante é que o ERA pressupõe que a pessoa fará fertilização in vitro e congelamento embrionário para transferência futura, de acordo com o resultado do exame.
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